ITAÚNAS

Dunas, mar e forró no norte do Espírito Santo

Itaúnas, ou Vila de Itaúnas, é uma pequena vila ao norte do Espírito Santo, próxima à divisa com a Bahia, pertencente ao município de Conceição da Barra — a 25 km do centro e 270 km de Vitória.

A Vila de Itaúnas é a imagem da tranquilidade: uma igrejinha na praça, casas simples, pousadas rústicas, poucos carros e uma comida caseira deliciosa. As tradições seguem vivas — moradores ainda pescam em canoas feitas de troncos maciços, que chegam a pesar 250 kg, e cozinham tanto em fogões pré-fabricados quanto em fogões a lenha. No verão, é normal sair à noite descalço pelas ruas de terra — um lugar rústico e especial para férias, lazer ou finais de semana.

O Rio de Itaúnas

O Rio Itaúnas brota aos pés da serra que separa os estados do Espírito Santo e Minas Gerais, pouco antes de chegar à Bahia. Passa por oito municípios capixabas, atingindo 34 km de extensão, parte dentro do Parque Estadual de Itaúnas. Junto ao mar, ainda alimenta e ajuda na formação de um gigantesco manguezal e várias regiões de alagados.

O negrume da água é transparente — caramelo só na cor, porque o frescor é cristalino. Em ciclos anuais irregulares, o Itaúnas enche, emenda os meandros e sai à procura de barrancos, formando um mar de água doce tão volumoso que faz brotar lagunas do outro lado das dunas, coladinhas ao oceano. Tanta água se resume em fartura de vida.

Bar Forró de Itaúnas

O Forró de Itaúnas foi criado em 1988. Na época, aconteciam os bailes da comunidade e existiam pouquíssimos estabelecimentos comerciais — um restaurante, uma pousada. Foi então que os donos do restaurante e do bar descobriram o sanfoneiro Luiz Geraldino, em São Mateus, cidade próxima. Ele começou a se apresentar no Bar Forró, e a moda pegou.

O forró pé-de-serra agradou ao público paulista a princípio, que levou a moda como sendo o forró universitário. Os visitantes começaram a vir, atraídos pelo forró e pelas belezas naturais locais. O boca a boca sempre foi a maior mídia do forró, e o movimento cresceu muito — o "Bar do Forró", como é carinhosamente conhecido, vem se destacando pelo forró tocado e dançado em suas dependências, sempre animado ao som da sanfona, zabumba e triângulo.

Artistas como Marinês, Dominguinhos, Mestre Zinho, Geraldo Azevedo, Arleno Farias e Xangai participam dos eventos, citando Itaúnas como um dos maiores movimentos de resgate da música regional nordestina. Bandas como Falamansa e Rastapé começaram tocando nos intervalos de shows no Bar Forró — que também sempre cedeu espaço a novos valores, como Chama Chuva, Trio Lubião, Trio Virgulino, Trio Xapadão, Nó de Forró, Trio Jerimum, Baião Caçula e Havengar.

Logo Café Brasil

Café Brasil

A história do Café Brasil acontece em um vilarejo de chão de terra, mar com piscinas naturais, rio para refrescar, longas e calmas prosas — o ano todo. Mas em julho, quando acontece o festival, a cidade se transforma: quadruplica o número de pessoas, e a vila se torna um ponto de encontro para celebrar o forró e os laços que ele proporciona, sejam amigos, danças ou amores.

Desde 2001, o Café Brasil é o encontro certo de forrozeiros de todo o mundo — data para compartilhar com os amigos o amor ao forró e à vida. Somos uma comunidade forte e fiel, a nação forrozeira cresce a cada ano e se consolida a cada festival.

Nos diferenciamos de outras festas porque temos uma filosofia de igualdade: aqui não há champagne com fogos, nem área VIP. Prega-se a democracia, a autonomia e a emancipação do sujeito. Somos iguais e nos respeitamos por isso — a dança nos ensina a entender o corpo do outro, e assim nos desperta a empatia.